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terça-feira, 15 de novembro de 2011

Semana fantástica

[Ao relembrar os fatos mais marcantes da semana,] a estridente Glória Maria mostrou  ignorar o fato de a semana terminar sábado e começar domingo

Domingo, ao encerrar o Fantástico (aquela constelação de estrelas decadentes), a apresentadora foi mais longe: desejou pra todo mundo “um excelente FIM DE SEMANA” (!?).

"Correio de Patos" (julho de 2000)

terça-feira, 26 de julho de 2011

A bíblia do guru de Coromandel

Logo após a estreia da coluna do Ombudsboy, o “Correio de Patos” publicou “Sobre o pleonasmo”, crítica assinada por professor de língua inglesa e portuguesa da rede estadual de ensino:

(Clique na imagem para ler o artigo)

Confesso que Jucere caminhava bem até que, ao final, resolveu pontuar os acertos do “filologista” (título conferido por ele e não por mim). "Como desenhista, nota dez para o talentoso jovem. Como filologista, nota zero vírgula nada...”, asseverou.

O motivo da ira: “LOGRADOUROS PÚBLICOS” (um dos pleonasmos de minha lista e que a honestíssima figura escondeu de seus leitores) era justamente o título de um de seus livros.

Reagi ao golpe baixo no mesmo nível e enderecei ao jornal naquela data (8/8/95) direito de resposta contendo, lamentavelmente, referências de cunho pessoal, reportando à época em que o professor era ridicularizado por alunos da Escola Estadual Prof. Zama Maciel.

Como o desagravo não fora publicado, preparei para a edição seguinte da revista “Phatos” o artigo “O cordão aumenta mais” – o qual também seria censurado. Além de comentar as críticas publicadas pelo “Correio”, o artigo revelava algumas fraudes perpetradas pelo professor, como o crime de plágio previsto no Código Penal. O documento cita as seguintes frases assinadas pelo professor no “Correio de Patos”:

“Todo dia de manhã a gente se levanta e sai de casa. Até chegar aquele dia terrível em que a gente sairá de casa sem se levantar.”


“Ser pobre não é crime, mas ajuda bastante a chegar lá.”

Compare com trechos extraídos da coletânea A bíblia do caos*, do escritor e cartunista carioca Millôr Fernandes:

“Todo dia de manhã a gente se levanta e sai de casa, se levanta e sai de casa, se levanta e sai de casa. Até o dia em que a gente sai de casa sem se levantar” (pág. 426);


“Ser pobre não é crime, mas ajuda a chegar lá” (pág. 16).

Há outras semelhanças entre o guru do Meyer e o de Coromandel, e o assunto poderia estender-se muito mais. Em breve Jucere voltaria à carga, desta vez a mando da “Folha Patense”, episódio que abordaremos em outra oportunidade.

(*) FERNANDES, Millôr. Millôr definitivo: a bíblia do caos. Porto Alegre: L&PM. 1994. 560p.

ombudsboy@gmail.com

quarta-feira, 27 de abril de 2011

"Mussarela de búfala fêmea"

ERRADO:

“No ‘Aurélio’, ‘búfalo’ consta como substantivo masculino. Ou seja, mussarela de búfala deveria ser ‘mussarela de búfalo fêmea’.” (Folha de S.Paulo).

CERTO:

É tão errado escrever “mussarela de búfalo” quanto “mussarela de búfala fêmea”. Uma que o nome do queijo é com “oz” ou “ç”. Outra que, se de fato “búfalo” é comum de dois gêneros (acreditamos que sim, apesar de a palavra “búfala” encontrar-se na Larousse Cultural) é desnecessário o complemento “fêmea”, pelo menos quando tratar-se de queijo (evidentemente feito de leite), do mesmo modo que é desnecessário dizer que o ovo de avestruz é“ovo de avestruz fêmea”. Ou seja: MOZARELA DE BÚFALO ou MUÇARELA BUFALINA.

(Correio de Patos, junho de 2000)

ombudsboy@gmail.com

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Cartas

Patos de Minas, 4/7/2000

Manoel Almeida,

Em sua coluna (30 de junho) está escrito: "Paradoxalmente, foi a maneira dele salvar seus personagens, há muito ameaçados". O correto é: Paradoxalmente, foi a maneira de ele salvar seus personagens. Segundo a "Nova Gramática do Português Contemporâneo", de Celso Cunha e Lindley Cintra, publicada pela Nova Fronteira, "As preposições de e em contraem-se com o pronome reto da 3a pessoa ele(s), ela(s), dando, respectivamente, dele(s), dela(s) e nele(s), nela(s).

"A pasta é dele, e nela está o meu caderno.

"É de norma, porém, não haver a contração quando o pronome é sujeito; ou, melhor dizendo, quando as preposições de e em se relacionam com o infinitivo, e não com o pronome. Assim:
" Para que há de ele desconfiar de nós e maltratar-te?"(Machado de Assis)”.

Também está escrito na coluna de 30 de junho: "A sexta edição da série, por exemplo, foi entitulada" (...). O correto é intitulada, do verbo intitular.

Entretanto, o que chama a atenção em sua coluna não são erros como “entitulada”. São os dos jornais que você corrige, que pecam pela falta de lógica. Mesmo sem conhecimento profundo, você tem "faro". O estudo de gramática, creio, contribuiria muito.

Lívio Soares de Medeiros.
Terceiro Ano de Letras/Fepam

(Correio de Patos, julho de 2000)

sábado, 31 de maio de 2008

OMBUDSBOY POR 1 DIA


(Correio de Patos - julho de 2000)

ombudsboy@gmail.com

Televisão e insanidade coletiva


Sempre que se noticiam chacinas como as que ocorrem nos Estados Unidos, e agora num cinema de São Paulo, a imprensa dá espaço aos argumentos de quem gosta de atribuir à TV, e, de reboque, aos video-games e à internet, a responsa pela insanidade daqueles homicidas.

No caso do índio Galdino, em Brasília, houve quem dissesse que o ato daquela quadrilha de jovens atear fogo na vítima inconsciente após encharcá-la de combustível não passava de uma brincadeira que acabara mal. De que brincadeira estão falando? E novamente ouvimos que "a culpa é da televisão". E TEM GENTE QUE ACREDITA!
Pra tudo quanto-há eles vêm com essa conversa de que a TV é culpada pela violência. Como se antes da invenção da televisão ninguém cometesse semelhantes crimes! Livros e jornais não publicam as mesmas coisas que a televisão veicula, até com descrição mais detalhada? Por que ninguém diz que a culpa é dos livros ou dos jornais?

Os assassinos do pataxó tiveram a coragem de dizer que viram a tal “brincadeira” numa "Pegadinha do Faustão". Não que eu duvide da transmissão de demência parecida nessas aberrações de domingo, mas será que vendo na TV exemplos de um dalai-lama ou Madre Tereza esses moleques saem por aí fazendo caridade?

(Correio de Patos - maio de 2000)

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Calvin é vítima de descaso editorial









Álbum do
personagem
cult criado por
Bill Watterson




As coletâneas de Calvin e Haroldo são excelente opção para os fãs de Bill Watterson, principalmente agora que o autor decidiu não mais fazer novas histórias. Paradoxalmente, foi a maneira de ele salvar seus personagens, há muito ameaçados: o Consórcio da Universal Press, detentor dos direitos da distribuição das tiras, queria sua exploração para além dos jornais (lancheiras, brinquedos, grifes etc.), o que certamente subjugaria sua criação aos interesses das indústrias, descaracterizando-lhe o espírito, como ocorreu às obras de artistas que cederam aos “Syndicates”.

Se o cartunista soubesse das traduções perpetradas pelas editoras brasileiras provavelmente recolheria os exemplares das bancas e livrarias, suspendendo qualquer forma de utilização já autorizada. “Básicamente”, “daqui há pouco”, “equestre”, “porque não?”, “por que?”, “musculos”, “sonambulos”, “as vêzes”, “fêz”, “fôr”, “evoluidos”, “vivessemos”, “sómente”, “egoista”, “força-lo”, “quiz”, “colhí”, “doe” (do verbo doer) são algumas barbaridades encontradas em apenas um volume dos álbuns.

A sexta edição da série, por exemplo, foi intitulada “A Vingança da Babá” (foto). Rosalyn, a “babá” do título, é a diarista contratada pelos pais de Calvin para ficar com ele quando têm de ficar fora de casa por algumas horas. O nome que se dá a essa função é baby-sitter (beibissíter, na falta de um termo em português). Babá, em vez disso, é a pessoa que convive com a criança, contratada para cuidar dela em tempo integral (nanny, nursemaid, em inglês).


A confusão sempre ocorre porque a de beibissíter é profissão incomum no Brasil e a nossa tendência é associar termos estrangeiros a qualquer outro que se aproxima com o que a gente já conhece. Exemplos de falsos cognatos não faltam. Mas pior é quando a gente lê “A vingança da babá” e descobre que a dita vingança é, na verdade, “A vingança de Calvin” [clique na imagem acima para ampliá-la], que é como deveria ser o título da revista. Agora eu não sei se o erro foi importado ou é da versão brasileira. No expediente há o título original: “The revenge of the baby-sat”. Alguém sabe o que significa “baby-sat”?


(Correio de Patos - Junho de 2000)

ombudsboy@gmail.com

Você falaria mal de quem paga o seu salário?

O ombudsman é o advogado do leitor, pago pelo próprio jornal. O departamento é uma espécie de seção de Controle de Qualidade. Sua função é "criticar o jornal sob o ponto de vista do leitor", por meio das reclamações que recebe. Mas se você tem alguma queixa a fazer contra uma reportagem sugiro que vá direto ao Procon, ou à polícia.

O ombudsman é eleito para um mandato que pode ser renovado. Não são os leitores, porém, que o elegem. Defeito grave, já na origem do personagem que inspirou esta coluna. A resistência da Folha de S.Paulo em admitir seus erros, agora por intermédio do ombudsman, mostrou que o alardeado "defensor do leitor" é, na verdade, o defensor do jornal. Comecemos pelo exemplo deste e-mail que recebi, idêntico a tantas cartas daquele escritório:

“Caro Senhor:

“Vimos por meio desta pedir desculpas pela demora em responder sua mensagem de dezembro passado.

“É lamentável, mas nosso departamento não conseguiu obter uma resposta da Secretaria de Redação a propósito do problema apresentado. Como o departamento de ombudsman não tem função executiva na Redação, e não há mais esperança de que a resposta devida seja dada, propomos dar o caso por encerrado --mesmo considerando que essa é a pior solução.”

É como a Folha administra, nos bastidores, seu compromisso público de responder todas as cartas e de retificar todos os erros que comete. Indignado com a espera de mais de um ano para a correção em um artigo sobre o Pato Donald, escrevi: “(...) A Folha não pode negar o fato de ser um jornal de Terceiro Mundo. Se é o melhor do país? Deve ser (pior para o país). Mas uma pessoa não recebe a pecha de mentirosa por dizer só mentiras o tempo todo. A mais mentirosa também diz verdades. Então não é porque tem outras virtudes e diz muitas verdades que a Folha vai deixar de ser o jornal mentiroso que é”.

Em único contato com este articulista, um ombudsman disse que ficou "sem ação" ao ler-me. Parece que ficou sem ação também ao responder-me.

“Caro Sr.

“Confesso que fiquei sem ação, ao lê-lo. Se seu objetivo era unicamente comunicar-me que considera a Folha ‘um jornal mentiroso’, muito bem. Discordo do sr; na minha opinião, a Folha é um jornal cheio de problemas, por momentos meio cabotino, mas não é mentiroso. Basta lembrar que é o único do Brasil que mantém um ombudsman para, pelo menos, discutir publicamente divergências existentes.

“Não sei quais as razões que levaram à não-solução do caso de que o sr. se queixa. O sr. não me pede, nem parece que seja o caso, para desenterrá-lo.

“Volte a procurar o ombudsman da Folha sempre que considerar conveniente.”

Não sabe por que o caso não foi resolvido nem procurou saber. Mais importante para ele é rebater as acusações de que o jornal mente, limitando-se, porém, a dizer que “a Folha é o único jornal que mantém um ombudsman”. Ora, sabemos que, por mais convencido que seja, um ombudsman é um "advogado". Não é garantia de idoneidade nem de infalibilidade do jornal. Até porque sua função é apontar os erros que o jornal já publicou, e não os que publicará.

A Folha admite os erros que convêm a ela admitir na seção do ombudsman e também na seção "Erramos", mas, observe, o "Erramos" preocupa-se mais com banalidades que não interessam ao leitor, como a correção de créditos de fotos: “A foto tal é de fulano e não de beltrano, como saiu publicado ontem”. A quem mais interessa senão a um ou dois fotógrafos da Folha? Outros exemplos de "Erramos" bastante comuns: "A matéria tal, de tal dia, saiu publicada duas vezes"; "Na edição de domingo a palavra 'personagem' saiu na pág.1-6 sem o 'r'". Em quaisquer desses exemplos, o leitor que leu as matérias não precisa do"Erramos", e quem não leu, precisa menos ainda.

Todo domingo o “Erramos” ocupa-se quase que inteiramente da programação de filmes que as emissoras alteraram depois do fechamento do TVFolha. Mesmo que isso deva ser feito no primeiro caderno por ser o último impresso, será que não há espaço em outra seção que não seja a “Erramos”, principalmente porque o erro não foi do jornal? Parece-me que o “Erramos” e ombudsman existem mais para servir de salvo-conduto do jornal.

Não é a Folha de S.Paulo o único a ter ombudsman, muitos o têm, ou tinham, entre os quais a Folha da Tarde, irmã da Folha. Na época de minhas correspondências com o ombudsman da Folha de S.Paulo, a Folha da Tarde fez uma campanha contra o Diário Popular, seu concorrente direto. A campanha diz que o político Orestes Quércia é dono do "Diário" e a chamada de página inteira pergunta:

"VOCÊ FALARIA MAL DE QUEM PAGA SEU SALÁRIO?”

A gracinha rendeu um processo contra o grupo Folha da Manhã S.A., pois põe em dúvida a honestidade e a imparcialidade de toda a Redação do "Diário". Mas, admite-se, o anúncio foi muito bem bolado. Seria o caso de perguntar para o ombudsman: você falaria mal de quem paga seu salário?

“INDEPENDÊNCIA - A independência econômica e financeira é condição essencial para a independência editorial e política do jornal.” (Novo Manual da Redação, da “Folha”.)


(Correio de Patos - Junho de 2000)

ombudsboy@gmail.com